Unidade dos cristãos, sinal para um mundo dividido, afirma Bento XVI
Especialmente chama à unidade entre cristãos na Terra Santa
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Em um mundo que vê reinar a divisão em tantos lugares, a unidade entre os cristãos pode constituir um sinal de esperança, afirmou nesse domingo Bento XVI, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma.
O pontífice presidiu à celebração das segundas Vésperas da solenidade da Conversão de São Paulo, ao concluir a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Além de vários bispos e cardeais, participaram da cerimônia representantes das demais Igrejas e Comunidades eclesiais presentes em Roma.
Em sua homilia, o Papa explicou que a conversão de São Paulo indica o caminho para chegar à unidade plena, que requer a passagem «da divisão à comunhão, da unidade ferida à unidade curada e plena».
«É a comunhão com o Cristo ressuscitado que nos dá a unidade», explicou, recordando o texto bíblico de referência, no qual se apresente o gesto simbólico dos dois pedaços de madeira reunidos em um pelas mãos do profeta Ezequiel, que desta forma mostra a ação futura de Deus.
Trata-se da segunda parte do capítulo 37, que na primeira contém a visão dos ossos secos e da ressurreição de Israel, realizada pelo Espírito Santo.
A união de um povo dividido é um tema particularmente sentido pelos cristãos coreanos, a quem correspondeu a preparação dos materiais para a Semana de Oração deste ano.
Os irmãos da Coréia, reconheceu Bento XVI, «sentiram-se fortemente interpelados por esta página bíblica, tanto quanto coreanos como quanto cristãos. Na divisão do povo hebreu em dois reinos se sentiram refletidos como filhos de uma única terra, que as circunstâncias políticas separaram, parte ao norte e parte ao sul».
«Esta experiência humana sua –acrescentou–os ajudou a compreender melhor o drama da divisão entre os cristãos».
À luz desta Palavra de Deus eleita pelos irmãos da Coréia «emerge uma verdade cheia de esperança: Deus promete a seu povo uma nova unidade, que deve ser sinal e instrumento de reconciliação e de paz também no plano histórico, para todas as nações», declarou o Papa.
«A unidade que Deus dá a sua Igreja, e pela qual rezamos, naturalmente a comunhão em sentido espiritual, na fé e na caridade, mas nós sabemos que esta unidade em Cristo é fermento de fraternidade também em plano social, nas relações entre as nações e para a inteira família humana», porque é «o fermento de Deus que faz crescer toda massa».
Nesse sentido, constatou, a oração elevada nestes dias em referência à profecia de Ezequiel «converteu-se também em intercessão perante as diversas situações de conflito que atualmente afligem à humanidade».
«Ali onde as palavras humanas se revelam impotentes, porque prevalece o trágico som da violência e das armas, a força profética da Palavra de Deus não decai e nos repete que a paz é possível, que nós devemos ser instrumentos de reconciliação e de paz».
Por esse motivo, a oração pela unidade e a paz «pede sempre ser comprovada por gestos valentes de reconciliação entre nós cristãos».
A este propósito, o pontífice não deixou de mencionar a Terra Santa, recordando «quão importante é que os fiéis que vivem ali, como também os peregrinos que ali vão, ofereçam a todos o testemunho de que a diversidade de ritos e tradições não deveria constituir um obstáculo ao respeito mútuo e à caridade fraterna».
«Na legítima diversidade de atitudes devemos buscar a unidade da fé, em nosso sim fundamental a Cristo e a sua única Igreja».
Deste modo, concluiu, «as diferenças não serão mais obstáculo que nos separa, mas riqueza na multiplicidade das expressões da fé; comum».