Grão-mufti da Síria convida o Papa
Com motivo do ano dedicado a São Paulo
Por Mirko Testa
DAMASCO, quinta-feira, 31 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O grão-mufti da Síria, Ahmad Badr El Din El Hassoun, convidou Bento XVI a visitar seu país com motivo do Ano de São Paulo.
Em um encontro em Damasco com um grupo de jornalistas que participam de uma viagem organizada pela Obra Romana para as Peregrinações seguindo os passos do apóstolo, a máxima autoridade sunita deste país relançou o diálogo cristão-muçulmano como possibilidade de promover a paz mundial.
“Gostaria de dizer ao Santo Padre que neste momento Damasco é a capital da cultura árabe e ao mesmo tempo é a capital do Ano de São Paulo”, afirmou.
No caminho a Damasco, São Paulo, cujo nome era Saulo, até o momento feroz perseguidor de cristãos, converteu-se, após ter visto o Senhor envolto numa luz deslumbrante.
“Eu me sentirei muito feliz se o Santo Padre quiser aceitar nosso convite para visitar a Síria este ano”, disse o grão-mufti, que também deseja encontrar-se de forma privada com o Papa em Roma para preparar a visita.
Neste sentido, revelou, quero dizer pessoalmente ao Santo Padre o que já disse no dia 15 de janeiro passado, em Estrasburgo, ao tomar a palavra perante os euro-deputados reunidos em assembléia solene.
Na ocasião, o grão-mufti falou da necessidade de um fecundo diálogo inter-cultural para promover a convivência pacífica entre os povos a partir dos fundamentos comuns das diferentes religiões, pois a “cultura do espírito, seja cristã ou muçulmana..., humanidade sua dimensão moral”.
Em seguida, expressou a esperança em que “o Vaticano possa desempenhar um papel para plantar a flor da paz no Oriente Médio”.
O grão-mufti quis tirar o peso das violentas reações que suscitou em ambientes muçulmanos o discurso que o Papa pronunciou na Universidade de Ratisbona em setembro de 2006.
“Um discute com sua mulher, mas o amor cresce –comentou. No fundo, entre os religiosos, intelectuais, não há briga, mas diálogo e discussão. E eu espero que o Santo Padre tenha um papel fundamenta na paz do mundo.”
O grão-mufti recordou o urgente apelo de João Paulo II a não erguer muros, mas pontes de diálogo, referindo-se ao muro de separação entre Israel e territórios palestinos.
“O Vaticano teve um papel fundamental na queda do muro de Berlim –concluiu–, e espero que possa desempenhar um papel semelhante para destruir o muro que se está construindo na terra da paz.”