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ENCONTRO DE BISPOS ANGLICANOS E CATÓLICOS ROMANOS
De
1 a 3 de março de 2006 – Lareira São José
– São Paulo – SP
MENSAGEM
A NOSSAS COMUNIDADES
Reunidos
no início da Quaresma de 2006, nós, Bispos das Comunhões
Anglicana e Católico-Romana e a Comissão Nacional Anglicano-Católica
Romana (CONAC) após considerarmos questões ligadas à
Eucaristia e à Missão, bem como ao papel da Virgem Maria
no mistério da Salvação, chegamos à conclusão
de que, cada vez mais, diminuem os motivos de nossas divisões.
Os laços de amizade se aprofundam e vemos que um trabalho mais
aperfeiçoado deve ser feito para conhecimento mútuo. Muitas
barreiras devem ainda ser superadas, entre as quais a acomodação
diante das estruturas eclesiásticas já estabelecidas.
Constatamos neste Encontro que não são apenas as doutrinas
que nos separam, pois, elas evoluem, se aperfeiçoam e se completam
no tempo com o diálogo. São os aspectos jurídicos
que dificultam nossa comunhão.
Descobrimos como somos fracos perante um mundo que nos ignora e nos
marginaliza. Continuamos a cultivar ainda a ilusão de sermos
um poder dominante nos moldes da Cristandade medieval, o que contribui
para esse processo de marginalização.
Constatamos, ao refletir sobre a Eucaristia, nosso acordo fundamental
em relação a elementos essenciais da fé da Igreja,
como: a presença real sacramental de Jesus no mistério
pascal; a Ceia do Senhor como celebração profética
de um mundo novo, sinal do Reino de Deus; alimento que nos fortalece
em nossa peregrinação. Percebemos também que há
um caminho a ser percorrido.
Estudando a missão da Igreja, percebemos a dificuldade que temos
em superar nossas estruturas defasadas de pensamento em relação
ao pluralismo religioso e à realidade secularizada que nos cerca.
Daí a inadequação de nossa linguagem quando tentamos
transmitir o Evangelho.
Analisamos o recente documento do Acordo anglicano-católico-romano
sobre Maria, onde vemos quantas coisas temos em comum a esse respeito.
Entretanto, nos círculos anglicanos existem algumas resistências
a determinadas interpretações da figura de Maria, devido
ao clima de conflito quando da Reforma Protestante. Do lado católico
há preocupação com o exagero devocionista mariano,
em formas arcaicas, que dificulta o diálogo ecumênico.
É importante encarar o papel de Maria na obra redentora, pois,
revela a presença decisiva da mulher na vida da Igreja e da sociedade.
Mais uma vez sentimos a urgente necessidade da formação
ecumênica que atinja não só os leigos, mas especialmente
o clero de nossas duas Igrejas. Precisamos também encontrar meios
e formas de um trabalho conjunto na Missão. Que nossos esforços
de evangelização sejam sempre partilhados diante do desafio
missionário da Igreja.
Afinados com o lema da IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas,
recentemente realizada em Porto Alegre, pedimos ao Senhor que “em
Sua Graça, transforme o mundo”.
São
Paulo, 3 de março de 2006.
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